Ir para o conteúdoInício » Trombose Venosa Profunda

A trombose venosa profunda (TVP) acontece quando um coágulo de sangue, chamado trombo, se forma dentro de uma veia profunda. É mais frequente nos membros inferiores e pode causar inchaço, dor, sensação de peso e aumento da temperatura em uma das pernas, embora algumas pessoas apresentem poucos ou nenhum sintoma.
Uma das principais complicações é a embolia pulmonar, que pode ocorrer quando parte do trombo se desprende e chega aos pulmões, prejudicando a oxigenação. Por isso, diante da suspeita de trombose venosa profunda, é importante realizar avaliação médica e definir rapidamente a necessidade de investigação.
A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo dentro de uma veia do sistema venoso profundo, mais frequentemente nas pernas.
As veias transportam o sangue de volta ao coração. Quando um trombo se forma dentro de uma delas, pode dificultar parcial ou completamente o fluxo sanguíneo e provocar alterações na circulação do membro afetado.
A trombose venosa profunda faz parte do chamado tromboembolismo venoso (TEV), que engloba a TVP e a embolia pulmonar.
Embora seja mais conhecida por ocorrer nas pernas, a trombose venosa profunda também pode acometer outros territórios venosos.
Os sintomas variam conforme a localização e a extensão da trombose.
Quando ocorre nos membros inferiores, podem aparecer:
Um dos sinais que mais chama a atenção é o inchaço unilateral, quando uma perna apresenta aumento de volume em relação à outra, principalmente se essa alteração for súbita.
Os sintomas podem surgir de maneira súbita ou progressiva. Entretanto, eles não são exclusivos da trombose. Problemas musculares, inflamações e outras condições também podem provocar dor e edema nas pernas.
Por isso, não é possível confirmar uma trombose venosa profunda apenas pelos sintomas.
Sim. Algumas pessoas apresentam sintomas discretos e outras podem ter trombose venosa profunda sem manifestações clínicas evidentes.
A ausência de dor, portanto, não exclui a doença.
A suspeita ganha maior importância quando existem fatores de risco, como cirurgia recente, internação, imobilização, câncer, gestação e pós-parto, uso de determinados hormônios ou episódio anterior de trombose.
A formação de uma trombose venosa profunda está relacionada principalmente a três mecanismos conhecidos como tríade de Virchow:
Esses mecanismos podem ocorrer isoladamente, mas frequentemente existe uma combinação de fatores.
Diversas situações podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, entre elas:
Ter um desses fatores não significa que necessariamente ocorrerá uma trombose. O risco é individual e depende da combinação entre características do paciente e fatores temporários ou persistentes.
Para retornar ao coração, o sangue dos membros inferiores precisa vencer a ação da gravidade. Os movimentos ventilatórios e a contração dos músculos da panturrilha auxiliam esse processo, favorecendo o retorno venoso.
Quando permanecemos imóveis por períodos prolongados, essa ação muscular diminui e o fluxo sanguíneo nas veias pode ficar mais lento.
Essa estase venosa, especialmente quando associada a outros fatores de risco, pode favorecer a formação de trombos.
Uma trombose venosa profunda provocada ocorre associada a um fator desencadeante identificável, como trombofilia, cirurgia ou período de imobilização. Esses desencadeantes podem ser fatores de risco persistentes, como trombofilias, ou transitórios, como pós operatório.
Já na trombose venosa profunda não provocada, não é identificado um fator evidente relacionado ao episódio.
Essa diferenciação é importante porque ajuda a avaliar a possível causa da trombose, o risco de recorrência e aspectos relacionados ao acompanhamento e à duração da anticoagulação.
A trombose venosa profunda pode ser uma condição grave, principalmente pelo risco de embolia pulmonar e pelas possíveis consequências para a circulação venosa.
A gravidade varia de acordo com fatores como localização e extensão do trombo e condições clínicas do paciente.
Além das complicações da fase aguda, algumas pessoas podem apresentar alterações persistentes na circulação venosa após o episódio de trombose.
Por isso, reconhecer os sinais e investigar adequadamente uma suspeita de trombose venosa profunda é importante.
Sim. A embolia pulmonar é uma das principais complicações da trombose venosa profunda.
Ela pode acontecer quando parte do trombo se desprende, percorre a circulação e alcança as artérias pulmonares.
A trombose venosa profunda e a embolia pulmonar são manifestações do chamado tromboembolismo venoso.
Sintomas que podem estar associados à embolia pulmonar incluem:
Na presença desses sintomas, é necessário procurar atendimento de emergência.
O diagnóstico da trombose venosa profunda combina avaliação clínica e exames complementares.
Dor ou inchaço em uma perna podem levantar a suspeita, mas não são suficientes para confirmar a presença de um trombo.
A investigação considera o histórico do paciente, os sintomas, o exame clínico e os fatores de risco. A partir dessas informações, é possível estimar a probabilidade clínica de trombose.
Regras clínicas validadas, como o escore de Wells, podem fazer parte dessa avaliação.
Dependendo da probabilidade clínica, exames como D-dímero e ultrassonografia venosa podem ser utilizados na investigação.
A ultrassonografia vascular, frequentemente chamada de ultrassom Doppler venoso ou duplex scan, é um dos principais métodos utilizados na investigação da trombose venosa profunda dos membros inferiores.
O exame permite avaliar as veias e identificar achados compatíveis com a presença e localização do trombo.
Por ser um exame não invasivo e fornecer informações sobre o sistema venoso, desempenha papel central diante da suspeita de trombose.
Em determinadas situações, quando a suspeita clínica permanece apesar de um exame inicial negativo, a estratégia de investigação pode incluir nova avaliação ultrassonográfica.
O D-dímero é um produto relacionado à degradação da fibrina e pode estar aumentado quando há formação e degradação de coágulos no organismo.
Entretanto, D-dímero alto não confirma trombose venosa profunda.
Diversas condições podem aumentar seus níveis, como inflamações agudas. Por isso, um resultado positivo isoladamente não deve ser utilizado para diagnosticar a doença.
Em pacientes selecionados, de acordo com a probabilidade clínica, um D-dímero negativo pode ajudar a afastar a possibilidade de trombose.
A interpretação do resultado deve sempre considerar o contexto clínico.

Não.
A trombose venosa profunda (TVP) ocorre em uma veia do sistema venoso profundo.
Já a trombose venosa superficial (TVS) acomete veias mais próximas da superfície da pele.
Embora sejam condições diferentes, a trombose venosa superficial também precisa ser adequadamente avaliada, pois sua localização e extensão podem influenciar a conduta.
Sim. Alguns pacientes podem apresentar alterações persistentes na circulação venosa depois de uma trombose venosa profunda, pois a degradação do coágulo pelo corpo pode levar à destruição das válvulas naturais das veias.
Essa complicação tardia é chamada síndrome pós-trombótica, relacionada a alterações que permanecem no sistema venoso após o episódio de trombose.
Ela pode causar:
Até metade das pessoas que tiveram trombose venosa profunda grave – em veias poplítea, femoral ou ilíaca, pode desenvolver em algum grau a síndrome pós-trombótica.
A trombose venosa profunda tem tratamento e pode apresentar boa evolução, especialmente quando diagnosticada e tratada adequadamente.
Ao longo do tempo, o organismo atua sobre o trombo e pode ocorrer um processo de recanalização da veia. Entretanto, essa evolução não é igual em todos os pacientes e o trombo pode não desaparecer completamente.
Por isso, o acompanhamento não considera apenas a presença do coágulo, mas também os sintomas, possíveis alterações na circulação venosa e o risco de recorrência.
Sim. Quem já apresentou trombose venosa profunda pode desenvolver um novo episódio, mas o risco de recorrência varia entre os pacientes.
Essa avaliação considera fatores como:
A identificação da causa e dos fatores associados ao primeiro episódio ajuda a orientar o acompanhamento.
A prevenção depende do risco individual e da situação clínica.
De maneira geral, evitar períodos prolongados de imobilidade e manter movimentação regular das pernas são medidas importantes.
Pacientes hospitalizados ou submetidos a determinadas cirurgias podem precisar de estratégias específicas de prevenção. Dependendo do risco de trombose e de sangramento, podem ser utilizados métodos mecânicos ou medicamentos anticoagulantes em doses preventivas.
Em viagens prolongadas, as medidas preventivas também devem considerar os fatores de risco individuais. Pessoas com risco aumentado podem precisar de orientação médica específica.
O tratamento da trombose venosa profunda é definido de acordo com a localização e extensão do trombo, os sintomas, os fatores associados e as condições clínicas de cada paciente.
Na maioria dos casos, a anticoagulação é a base do tratamento. Os anticoagulantes ajudam a impedir a progressão do trombo e reduzem o risco de complicações enquanto os mecanismos naturais do organismo atuam sobre o coágulo.
Em situações selecionadas, outras estratégias podem ser necessárias. Por exemplo, em pacientes que não podem anticoagular e apresentam trombose venosa profunda grave, pode haver indicação de implante de filtro de veia cava. Em alguns casos extremos de obstrução da circulação também pode ser indicada a remoção cirúrgica do trombo.
Saiba mais sobre os anticoagulantes utilizados, a duração da terapia e quando outros procedimentos podem ser indicados no tratamento da trombose venosa profunda.
Inchaço, dor ou alterações em uma perna não significam necessariamente trombose venosa profunda, mas devem ser sempre avaliados.
Procure avaliação médica diante de manifestações como:
O cirurgião vascular é um dos especialistas responsáveis pela investigação, tratamento e acompanhamento da trombose venosa profunda.
Sintomas como falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, tontura intensa ou desmaio podem estar associados à embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência.
A investigação da trombose venosa profunda deve considerar o conjunto de sintomas, histórico clínico, fatores de risco, probabilidade de trombose e exames indicados para cada situação.
A Dra. Andressa Louzada, cirurgiã vascular e endovascular em São Paulo, atua na avaliação de pacientes com suspeita ou diagnóstico de trombose venosa profunda e no acompanhamento após episódios de trombose.
Sua atuação também inclui produção científica relacionada ao tromboembolismo venoso, associando prática clínica e pesquisa na área vascular.
A avaliação individualizada permite definir a necessidade de investigação e, quando a trombose venosa profunda é confirmada, estabelecer a estratégia de tratamento e acompanhamento de acordo com as características de cada paciente.
Inchaço, dor ou sensibilidade em uma das pernas podem estar entre as primeiras manifestações. No entanto, não existe um único sintoma capaz de confirmar trombose venosa profunda.
Sim. Algumas pessoas apresentam manifestações discretas e outras podem não perceber sintomas evidentes. Por isso, a ausência de dor ou inchaço não exclui completamente a possibilidade de trombose.
A ultrassonografia venosa é um dos principais métodos utilizados na investigação da trombose venosa profunda dos membros inferiores. A estratégia diagnóstica pode considerar também a probabilidade clínica e o D-dímero.
Não. Um resultado elevado isoladamente não confirma trombose venosa profunda, pois diversas condições podem aumentar o D-dímero. O exame deve ser interpretado de acordo com o contexto clínico.
O cirurgião vascular é um dos especialistas que atuam no diagnóstico, tratamento e acompanhamento da trombose venosa profunda.
Fontes e referências:
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes sobre trombose venosa profunda da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Jornal Vascular Brasileiro, 2024;23:e20230107.
Diretriz da SBACV sobre Trombose Venosa Profunda
American Society of Hematology e sociedades latino-americanas. Diretrizes para diagnóstico de tromboembolismo venoso na América Latina. Blood Advances.
Diretriz latino-americana para diagnóstico de tromboembolismo venoso
Meu artigo sobre o tema:
Epidemiology of the use of inferior vena cava filters in Brazil between 2008 and 2019
Andressa Cristina Sposato Louzada https://orcid.org/0000-0002-4133-3798 acl604@mail.harvard.edu, Dafne Braga Diamante Leiderman https://orcid.org/0000-0002-8593-6427, […], and Nelson Wolosker https://orcid.org/0000-0003-1991-3507+4View all authors and affiliations
https://doi.org/10.1177/170853812311649
CRM-SP 182973 • RQE 93020
Dra. Andressa Louzada é cirurgiã vascular e endovascular, formada pela Faculdade de Medicina da USP, doutora em Cirurgia Vascular e professora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, com formação acadêmica e científica também realizada na Harvard University.
Sua atuação reúne experiência clínica, pesquisa e técnicas modernas no diagnóstico e tratamento das doenças venosas e arteriais, com uma abordagem individualizada e baseada em evidências.
Avaliação individualizada e plano de tratamento personalizado apra seu caso