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Você já ouviu falar em Erisipela?

Erisipela é uma infecção que acomete a pele, a gordura subcutânea e o sistema linfático, que ocorre mais frequentemente na perna.

Os principais sinais e sintomas associados a essa doença são: dor, vermelhidão, calor local, inchaço e surgimento de „caroços“ dolorosos pelo aumento dos linfonodos (gânglios linfáticos, “ínguas“).

O tratamento agudo é feito principalmente com antibiótico terapêutico e repouso em elevação do membro doente.

O acompanhamento com vascular é essencial para avaliação e tratamento dos fatores desencadeantes, que geralmente envolvem o que chamamos de „portas de entrada“, como feridas, micoses, picadas de inseto, principalmente em pacientes que já tem linfedema, e também para prevenir sequelas, pois erisipelas recorrentes levam à destruição do sistema linfático.

Existem ainda algumas medidas de prevenção. Essas medidas são especialmente valiosas principalmente para quem tem linfedema e quem ja teve erisipela antes.

  1. Hidratar bem as pernas e pés, com exceção dos espaços entre os dedos. O hidratante deve ser preferencialmente sem cheiro (desses de fruta ou flor) e sem corante e aplicado logo após o banho.
  2. Após o banho, secar bem os meios dos dedos antes de colocar meia ou calçado.
  3. Vigiar e tratar imediatamente quando surgir micose entre os dedos ou qualquer lesão em pés ou pernas
  4. Se você tem linfedema, é fundamental aderir à terapia física complexa, com as drenagens, enfaixamento e fisioterapia
  5. Se você tem erisipela de repetição, avise seu/sua vascular para avaliar a prescrição de antibiótico preventivo.

Tromboembolismo Venoso, Trombose Venosa e Tromboembolismo Pulmonar

Tromboembolismo venoso é o nome que damos para condições em que há formação de um coágulo gerando entupimento de um vaso, como na trombose venosa e no tromboembolismo pulmonar.

A formação do coágulo pode ser desencadeada por uma alteração no fluxo sanguíneo, por exemplo quando ele fica mais lento porque a veia se encontra estreitada – como ocorre na Síndrome de Cockett; por uma lesão no endotélio, que é a camada mais interna da veia, por exemplo pelo tabagismo; ou por um estado de hipercoagulabilidade, isto é, quando o corpo se torna propenso a ficar formando coágulos, o que pode ocorrer fisiologicamente, como na gestação, ou em doenças, como o câncer.

A trombose venosa profunda ocorre quando há o entupimento de uma veia profunda de algum membro por um coágulo (trombo). Quando a veia fica entupida, isso atrapalha o retorno do sangue do membro para o coração, levando a uma dor repentina e inchaço no membro, que são os principais sintomas da trombose. O quadro pode vir acompanhado também de alterações sistêmicas, como mal estar e até mesmo febre baixa. Quanto maior a veia entupida, piores os sintomas e maior a gravidade, especialmente se houver migração do coágulo para o pulmão (embolia pulmonar).

Tromboembolismo pulmonar é quando um coágulo entope uma artéria do pulmão. Esse coágulo pode ter se formado localmente (trombo) ou pode decorrer de uma migração do trombo da perna nos casos de trombose venosa profunda (embolia). A consequência desse entupimento é o infarto pulmonar e o prejuízo à função pulmonar, que é oxigenar o sangue. Dependendo do caso, pode ser silencioso e leve, mas pode também ser grave, com dor no peito, falta de ar, baixa oxigenação e até morte.

Na maioria das vezes é possível tratar tanto a trombose venosa profunda quanto o tromboembolismo pulmonar com segurança e eficácia com medicamentos anticoagulantes.

Dra. Andressa Louzada

Trombose Venosa Profunda (TVP)

O que é?
É o entupimento de uma veia da perna ou da coxa por um trombo (coágulo), que pode ocorrer por diversas causas, sendo mais comuns após traumas, cirurgias grandes, pacientes tabagistas, com obesidade, com alguma infecção ou algum câncer, varizes e pacientes em tratamento hormonal.

Quais são os sintomas?
O membro inferior acometido fica inchado, dolorido e com a panturrilha empastada.

Quais são os riscos?
O risco mais importante é a migração de um coágulo para o pulmão, levando a embolia pulmonar.

Quem pode ter?
Todo mundo pode ter trombose, mas em algumas pessoas e situações, o risco é maior, como por exemplo: pessoas com
idade avançada, tipos sanguíneos A e B, algumas alterações genéticas (do fator V de Leiden ou da protrombina), trombofilias (deficiências de AT3 e proteínas C e S, síndrome antifosfolípide), câncer, infecção, doenças agudas, doença inflamatória intestinal, pós operatório, trauma, ficar na cama ou imobilizado por mais de 3 dias, ter tido internação recente, obesidade, viagens longas, gestação, puerpério, terapias hormonais com estrogênio e insuficiência venosa crônica (varizes).

Como é o tratamento da Trombose Venosa Profunda?
O tratamento da TVP é com anticoagulante, para deixar o sangue mais fino, cabendo ao vascular escolher qual o melhor tipo de anticoagulante para cada paciente.

Concomitantemente à anticoagulação, realizar exames de sangue e de imagem ajudam o vascular a saber a causa da trombose, que sempre que possível deve ser tratada para evitar recorrência;
Além disso, uso de meia elástica, mudanças de estilo de vida (como parar de fumar, ficar no peso ideal) e profilaxia em viagens e cirurgias futuras estão entre os cuidados a serem orientados pelo vascular.

Hiperidrose

A sudorese excessiva, ou hiperidrose, ocorre por alterações em gânglios e se carateriza por um por uma condição em que a pessoa sua mais do que ela precisaria para regular a sua temperatura corporal (portanto suar muito em dias quentes e após atividade física não conta).

Muitas vezes essa sudorese anormal leva a uma piora da qualidade de vida, principalmente por conta de constrangimento e prejuízo às relações interpessoais e pode prejudicar até o exercício de algumas atividades profissionais.

A medicina ainda não descobriu a causa disso. Mas a boa notícia é que existem vários tratamentos para hiperidrose! Os tratamentos vão desde remédios, como a oxibutinina, a tratamentos invasivos, como aplicação de botox e cirurgia, geralmente realizada por vídeo.

A decisão médica sobre o benefício de tratar cada caso e o tipo de tratamento mais indicado depende do quanto a hiperidrose impacta a vida do paciente negativamente. Essa avaliação é feita a partir de consulta médica e auxiliada por questionários de qualidade de vida, como o HDSS (sigla do inglês que significa escala de gravidade da doença hiperidrose).

Ainda não existe um método objetivo (exame) confiável que consiga medir o suor e determinar se ele é excessivo ou não.

Assim sendo, se você acha que o seu suor é um problema na sua vida, o melhor é conversar com um médico que trate hiperidrose, como cirurgiões vasculares, torácicos ou dermatologistas.

Caso seja optado pelo tratamento, vale ressaltar que o melhor tratamento para hiperidrose nem sempre é a cirurgia. Apesar de a cirurgia, que é feita com tratamento dos gânglios doentes de forma minimamente invasiva (simpatectomia por videotoracoscopia), ser muito segura e ser o único tratamento definitivo, resolvendo o problema com ótimos resultados, ela não é livre de riscos significativos. É importante ressaltar que todos os procedimentos invasivos envolvem riscos, devendo ser adequadamente indicados e realizados por profissional capacitado. A complicação mais frequente é a hiperidrose compensatória, uma espécie de efeito rebote que ocorre em outra área do corpo. Complicações mais graves, com necessidade de UTI ou com risco a vida são raríssimas, embora não sejam inexistentes e é importante estar ciente disso. Então a nossa recomendação é que antes de partir para a cirurgia, outros tipos de tratamentos devem ser tentados, como botox local e remédio. Para os casos que não melhorarem, a cirurgia é a melhor opção.

Pé Diabético

O que é?
O pé diabético é como chamamos o conjunto de alterações vasculares e neurológicas que ocorre nos pés dos pacientes portadores de diabetes decorrentes do índice alto de açúcar no sangue. As alterações vasculares levam a deficiência de circulação, enquanto as neurológicas levam a alteração de diferentes tipos de sensibilidade.
Inicialmente os pacientes podem sentir os pés “estranhos”, com formigamento, agulhadas e até dor. Pode acontecer também de não sentir bem os pés.
A médio e longo prazo, essas alterações favorecem o aparecimento de úlceras, deformidades ósseas e articulares. Além disso, esses pacientes têm uma maior predisposição a infecção, porque o sistema imune também fica comprometido.

Quais os riscos?
Os riscos envolvem infecções graves, inclusive profundas e no osso (osteomielite), amputação e incapacitação ou dificuldade para caminhar por conta das deformidades ou das amputações.

Como prevenir as alterações e complicações?

  1. Manter um bom controle da glicemia (açúcar no sangue);
  2. Parar de fumar;
  3. Auto-exame dos pés -> todos os dias deve-se checar por alterações, feridas e micoses;
  4. Lavar os pés diariamente, secar bem entre os dedos, hidratar com creme sem cor nem cheiro de fruta ou flor (sem passar no meio dos dedos);
  5. Proteger os pés continuamente -> usar somente calçados confortáveis e bem adaptados, preferir meias sem costuras, cuidar das unhas apenas com profissionais habilitados;
  6. Visitar um especialista regularmente.